sábado, 17 de abril de 2010

Futebol Literário


Por Fábio Queiroz*

Estamos às vésperas da Copa do Mundo da África do Sul e este é um daqueles momentos onde a identidade nacional costuma se manifestar, seguindo uma tradição do principal esporte brasileiro.
Até o nosso patrono, José Lins do Rego, foi "o primeiro importante autor brasileiro a escrever sistematicamente sobre futebol" (Fonte: Livraria Cultural), inclusive como colunista do caderno de esportes do Jornal dos Sports. Apaixonado por futebol, José Lins do Rego "pertenceu à diretoria do Clube de Regatas Flamengo e chegou até a chefiar a Delegação Brasileira de Futebol no campeonato Sul-Americano de 1953" (Fonte: Mundo Cultural).

Atendendo aos dinâmicos processos de incentivo à leitura através de atividades lúdicas, surgiu a idéia de criar uma competição de futmesa (futebol de botão), cujo componente diferencial foi substituir os nomes comuns de jogadores profissionais pelos nomes dos escritores brasileiros e estrangeiros.

Imaginem um time formado por Machado de Assis, Clarice Lispector, Olavo Bilac, José Saramago e Jorge Amado. Que timaço! Aliás este foi o escrete campeão no primeiro torneio disputado na Biblioteca. Parabéns ao jovem Thiago Assum (13 anos) que conduziu o seu Manchester United a vitória de 3x2 na final contra o Real Madrid do surpreendente Ronei, depois de sair perdendo por 2x0. O imortal Machado de Assis, que fez o gol do título, foi o artilheiro do torneio, com 3 gols.
Uma curiosidade: quando o Thiago percebeu que o botão "Lispector", se referia a escritora Clarice Lispector, ficou desconcertado: "Ah, não! No meu time tem mulher? Quero um time só de homem". Em seguida, indagado sobre a possibilidade de contar com a jogadora Marta no seu time de coração (Fluminense) ele tratou logo de relativizar a situação: "Já é! Ela no ataque tricolor..."
Assim surgiu a ideia do Futebol Literário, fixando na memória dos jovens o nome dos principais autores de literatura, um pouco de sua obra e sua importância a partir de um jogo que ilustra a maior paixão nacional.

Nosso patrono também estava lá. Saiu da tribuna de honra para o campo, devidamente escalado no seu Flamengo de coração. Pena que o time não se classificou para a final. Mas quem sabe na próxima...

É goool!!! Machado de Assis!!!

*O Projeto Futebol Literário foi concebido pelo Sociólogo e Mestre em Educação, Fábio Queiroz, em parceria com os jovens usuários da Biblioteca do Dique, que contribuíram profundamente com os ajustes, críticas, sugestões e demandas necessárias para o desenvolvimento dialógico do projeto.

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